Alimentação Saudável e Segurança Alimentar

Muito se fala sobre alimentação saudável, mas a verdade é que não existe uma fórmula única que funcione para todos. Quantidade de refeições, consumo de água e escolha dos alimentos variam de acordo com o estilo de vida, necessidades e contexto de cada pessoa. Mais do que seguir regras prontas, o essencial é compreender como fazer escolhas equilibradas, seguras e conscientes no dia a dia. A nutrição é uma ciência em constante evolução, e novas evidências surgem o tempo todo. Por isso, ferramentas como a Pirâmide Alimentar ajudam a visualizar o equilíbrio alimentar — mas devem ser interpretadas com senso crítico e atualizadas conforme o conhecimento avança. Este espaço foi criado para ir além do básico: aqui você encontra receitas saudáveis, informação confiável e práticas de segurança alimentar para transformar sua relação com a comida de forma realista e sustentável. Bem-vindo a um novo jeito de pensar alimentação.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Deficiência de ferro em adeptos da dieta vegetariana restrita

O vegetarianismo se baseia em exclusão total ou parcial de alimentos de origem animal. Existem três tipos de vegetarianismo: lactovegetariano, ovolactovegetariano e vegetarianos estritos, também chamados de vegans. Estes últimos não consomem nada que tenha origem animal e muitos destes também não utilizam alimentos animais processados, como o mel. O objetivo principal do presente trabalho foi verificar se ocorre deficiência de ferro em adeptos da dieta vegetariana restrita. Trata-se de um levantamento bibliográfico baseado em periódicos científicos publicados nos últimos 10 anos, utilizando as bases de dados LILACS, PUBMED, MEDLINE, SCIELO, SCIENCE DIRECT, bem como livros especializados e atualizados. O ferro é um dos nutrientes considerados de maior importância no que se refere a biodisponibilidade para dietas vegetarianas. Ele divide-se em ferro heme e ferro não heme, e constitui um importante fator para a anemia ferropriva, uma vez que o ferro não heme (aquele oriundo de origem vegetal) é muito pouco biodisponível, inclusive quando associado aos inibidores da sua absorção (fitatos, oxalatos, taninos e etc). Porém o consumo freqüente de verduras e frutas ricas em vitamina C aumenta a absorção deste segundo tipo de ferro, bem como uma dieta bem planejada e combinada. De acordo com estudos, durante a gestação e a lactação é importante a suplementação de ferro. Já em crianças e adolescentes vegetarianos, é comprovada uma maior eficácia da suplementação com vitamina C. É necessário que o profissional nutricionista apoie os pacientes para o controle do planejamento de dietas vegetarianas, auxilie aqueles que desejam adotar tal prática dietética, além da possibilidade de que a clientela procure o profissional devido a problemas ligados a más opções alimentares.
Devido a falta de consumo de alimentos lácteos e/ou cárneos, a dieta vegetariana pode gerar um comprometimento na ingestão de alguns nutrientes que se encontram principalmente nos alimentos de origem animal, como proteínas, cálcio, ferro e vitamina B12. (SALAS-SALVADÓ, 2008).



Corbella (2005) cita que as fontes de ferro mais importantes para os vegetarianos se encontram nos ovos, leguminosas, nozes, sementes, grãos, cacau, frutas secas, vegetais verdes folhosos, batata, algas Spirulina e leveduras. O teor de ferro total de uma dieta fornece pouca informação sobre o seu conteúdo de ferro biodisponível, o que é bastante influenciado pelos alimentos na dieta e pode variar o teor de ferro similar de 10 vezes a partir de diferentes refeições. (HUNT, 2003).


Quarenta por cento do ferro nos alimentos cárneos está na forma heme, com utilização fisiológica independente dos constituintes da dieta e biodisponibilidade superior à do ferro inorgânico. Tem sido demonstrado que, mesmo quando indivíduos vegetarianos apresentam ingestão de ferro similar aos onívoros, a biodisponibilidade do elemento está comprometida pela presença de substâncias quelantes que interferem na absorção. Assim, quando a ingestão alimentar de indivíduos vegetarianos não ocorre de forma balanceada, as necessidades diárias de ferro podem não ser atendidas, tanto qualitativa, como quantitativamente. Tal situação pode resultar no desenvolvimento da anemia ferropriva. (QUINTAES, 2006).


Almeida (2002) considera que a absorção do ferro não heme é influenciada por grande número de fatores da dieta e ocorre em proporções muito variáveis, em função das reservas de ferro do organismo e da quantidade de substâncias potencializadoras e inibidoras que são consumidas em uma mesma refeição. Destacam-se os fitatos e taninos, como inibidores, e o ácido ascórbico e tecido muscular, como fatores potencializadores da absorção do ferro não heme.


Couceiro (2008) afirma que, com relação ao ferro, a ingestão por vegetarianos (especialmente veganos) costuma ser maior do que a de onívoros, associada a uma ingestão de, geralmente, o dobro de vitamina C pelos vegetarianos. Hunt (2003) acrescenta que o ferro em dietas vegetarianas é geralmente menos biodisponível do que em dietas não vegetarianas por causa do reduzido consumo de carne, bem como a tendência para consumir mais ácido fítico e outros inibidores da absorção deste mineral. As populações vegetarianas apresentam a mesma prevalência de anemia ferropriva do que as populações onívoras. Segundo as DRI’s (Dietary Reference Intakes), os vegetarianos precisam de um aumento de 80% do ferro para compensar a baixa biodisponibilidade em suas dietas. A RDA (Recomendação de Ingestão Diária) para homens adultos vegetarianos e mulheres na pré-menopausa foram criadas em 14 a 33mg de ferro por dia, respectivamente, pela Food and Nutrition Board (Comitê de Alimentação e Nutrição).

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