Alimentação Saudável e Segurança Alimentar

Muito se fala sobre alimentação saudável, mas a verdade é que não existe uma fórmula única que funcione para todos. Quantidade de refeições, consumo de água e escolha dos alimentos variam de acordo com o estilo de vida, necessidades e contexto de cada pessoa. Mais do que seguir regras prontas, o essencial é compreender como fazer escolhas equilibradas, seguras e conscientes no dia a dia. A nutrição é uma ciência em constante evolução, e novas evidências surgem o tempo todo. Por isso, ferramentas como a Pirâmide Alimentar ajudam a visualizar o equilíbrio alimentar — mas devem ser interpretadas com senso crítico e atualizadas conforme o conhecimento avança. Este espaço foi criado para ir além do básico: aqui você encontra receitas saudáveis, informação confiável e práticas de segurança alimentar para transformar sua relação com a comida de forma realista e sustentável. Bem-vindo a um novo jeito de pensar alimentação.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nutrição e doenças cardiovasculares

A maioria da população nem sempre se dá conta da importância da alimentação na manutenção e preservação da saúde. O alimento é o “combustível da vida”. É ele quem fornece os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Atualmente já se sabe que os nutrientes são a única matéria-prima para nossa formação e renovação celular. Portanto, nossa alimentação é responsável pela nossa saúde como pelo desequilíbrio do nosso organismo, desencadeando a maioria das doenças crônicas que afetam a população, independente da sua faixa social, etária e cultural.

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo ocidental.
A redução dos níveis de colesterol sanguíneo já foi consagrada como uma intervenção eficaz para reduzir taxas de morbidade e mortalidade por doença arterial coronariana (DAC).
Os conteúdos alimentares de gorduras saturadas e de colesterol tem influência direta nos níveis lipídicos do plasma. A maioria da população absorve aproximadamente metade do colesterol presente na luz intestinal enquanto uma minoria absorve maior quantidade. A absorção de gordura saturada não é limitada, por isso sua ingestão promove efeito mais intenso sobre a colesterolemia. Desse modo, para reduzir a ingestão de colesterol e ácidos graxos saturados, deve-se evitar as gorduras animais e os óleos de dendê.



Gordura Saturada
 A ingestão de ácidos graxos trans faz crescer o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas por aumentarem os níveis de LDL e também reduzirem os níveis de HDL.
As principais fontes desses ácidos graxos são as gorduras hidrogenadas, principalmente as margarinas e shortenings. Estes se caracterizam por gorduras industriais utilizadas na composição de alimentos como: sorvetes, cookies, chocolates, pães, cremes e sobremesas aeradas, óleos para fritura industrial e molhos para saladas (maionese).
Componentes da dieta que possuem ação coadjuvante no Tratamento nutricional das Dislipidemias, recentemente publicada pela IV diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose.


Fibras
 As fibras solúveis (pectinas e gomas) reduzem o tempo de transito gastrointestinal e a absorção enteral do Colesterol. O farelo de aveia é o alimento mais rico em fibras solúveis e pode, portanto, diminuir moderadamente o colesterol sanguíneo.  



Fitosteróis
 São encontrados apenas nos vegetais e desempenham funções estruturais similares ao colesterol em tecidos animais. O β-sitosterol, extraído dos óleos vegetais é o principal fitósterol encontrado nos alimentos. Reduzem a colesterolemia por competirem com a absorção do colesterol da luz intestinal. Uma alimentação contendo quantidades adequadas de vegetais fornece aproximadamente 200 a 400mg de fitosteróis. Ë necessário à ingestão de 2g/dia de fitosteróis para a redução média de 10 a 15% do LDL colesterol e de triglicerídeos.


Soja
 A ingestão de 25g/dia de proteína de soja pode reduzir 6% do LDL do colesterol plasmático, sendo, portanto, considerada auxiliar no tratamento da hipercolesterolêmica.



Flavonoides
 São antioxidantes polifenólicos encontrados nos alimentos, principalmente nas verduras, frutas, grão sementes, castanhas, condimentos, ervas e também em bebidas como vinho tinto, suco de uva e chá.
Os flavanóides mais importantes são:
 A quercitina - encontrada principalmente nas frutas (cereja, amora, uva, morango), grãos, batata, berinjela, feijão marrom e cebola.
 O campferol – está presente no rabanete, na couve, na escarola, no nabo.
 A miricetina - é encontrada nos vinhos e suco de uva.



Vitaminas
 A utilização das vitaminas A e E dos carotenóides, com o objetivo de prevenir ou reduzir o desenvolvimento da doença aterosclerótica, vem sendo amplamente pesquisada e estudada. Uma alimentação com quantidades adequadas de frutas e vegetais diversificados fornece doses apropriadas de antioxidantes.



Linhaça
 A linhaça também oferece benefícios para saúde cardiovascular, pois é fonte importante de ômega 3 e de lignanas, uma classe de fitoestrógenos. A linhaça é a semente oleaginosa que possui o maior teor de ácido alfa-linolênico (57%), enquanto seu teor de lignana é 800 vezes maior do que em outros 66 alimentos vegetais avaliados. 
  

Plantago Ovata à ação hidrolitica

 A Casca de semente de Psilio, definida como epiderme da semente de plantago ovata, é outra fibra solúvel que tem se mostrado eficaz na redução dos lipídeos séricos.
Inulina e frutoligossacarídeos (FOS) ou oligofrutose, são oligossacarídeos resistentes . Ou seja, é carboidratos complexos de configuração molecular que os torna resistentes a ação hidrolitica da enzima salivar e intestinal. O FOS e a inulina são considerados alimentos prebióticos, por desempenharem diversas funções fisiológicas no organismo, dentre elas, redução do colesterol e da hipertrigileridemia e controle da hipertensão arterial.

Conclusão
 Vale salientar que os Ácidos graxos poliinsaturados (AGPI) que são os ácidos graxos W6 e W3 dentre suas funções está a redução do colesterol total e do LDL e o aumento do HDL. Fontes do W6: óleos vegetais exceto o de coco, cacau e palma (dendê).
Fontes alimentares de W3: óleo de canola, soja, linhaça, óleos de peixe e em peixes de águas frias (cavala, sardinha, salmão, arenque) e em menor proporção a sardinha.
Uma dica importante é substituir a gordura saturada pela monoinsaturada na alimentação, que além de melhorar os níveis de triglicerídoe possui efeito hipolipidêmico, e aumenta os níveis de HDL no plasma, característica essa importante na redução dos riscos cardiovasculares. Principais fontes: óleo de canola e oliva, abacate, azeitonas, frutas oleaginosas (amêndoas, nozes e castanhas).
É imprescindível que a terapia nutricional para o controle das dislipidemias promova mudanças alimentares permanentes, visando também à prevenção das doenças cardiovasculares. Essa transformação deve ser realizada de forma gradativa, uma vez que é difícil uma mudança rápida do hábito alimentar por fazer parte do estilo de vida de cada pessoa. Ë fundamental a presença do nutricionista na equipe multidisciplinar para efetuar as orientações alimentares necessárias.


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